RAJATABLA, DE LUIS BRITTO GARCÍA: IMPERIALISMO, DEPENDÊNCIA E BOLIVARIANISMO NA LITERATURA LATINO-AMERICANA
Nome: ANDRÉ LUIS DE MACEDO SERRANO
Data de publicação: 26/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| JOSEFA SÁNCHEZ CONTRERAS | Examinador Externo |
| LUIS EUSTAQUIO SOARES | Presidente |
| MARCUS DE MARTINI | Examinador Interno |
| RAFAEL SOUSA SIQUEIRA | Examinador Externo |
| ROBSON LOUREIRO | Examinador Interno |
Resumo: O livro de contos Rajatabla (2004) do escritor venezuelano Luis Britto García, reúne setenta e três narrativas de ampla variedade, tematizando a utopia, as guerras, o horror, a morte, o inconsciente, o capitalismo, o fascismo, o futuro tecnológico, o passado colonial, a infância, e muito mais. Devido à extensão do objeto, propõe-se uma abordagem que enfoque uma das cinco divisões internas do livro, intitulada “Calle ciega”. Esta seção contém histórias que retratam, de modo direto ou indireto, os mecanismos de controle e de opressão que perpetuam a dependência dos povos latino-americanos à dominação estrangeira. Publicado em 1970, ano em que recebeu o prêmio literário Casa de las Américas, sediado em Havana, Rajatabla se caracteriza por um duplo estilo: Ironiza, por um lado, a exploração sistêmica e, por outro, erige-se numa literatura insurgente. Rajatabla incorpora discursivamente a cultura revolucionária da América Latina, em sua enunciação anti-imperialista e de integração continental, desde a Revolução Cubana de 1959 até as gestas independentistas de Simón Bolívar. Partindo do método da historiografia literária marxista, conjectura-se a dependência econômica, política e cultural como fator-chave para a interpretação da literatura latino-americana. Sob mediação do conflito entre Imperialismo e Bolivarianismo, como parte e contraparte das relações entre Núcleo e Periferia, para dizer em termos de Teoria da Dependência, fundamenta-se a argumentação desta tese no conceito de Ideologia da Dependência, do crítico literário Fábio Lucas; de Imperialismo, seguindo a tradição crítica desde Lênin até Theotonio dos Santos; e dos estudos internacionais sobre o Pensamento Bolivariano, incluindo nesse campo o próprio Luis Britto García, além de Iñaki Gil de San Vicente, Nestor Kohan, dentre outros. Por fim, discute-se o problema da dependência cultural na estética literária a partir das noções de realismo e de vanguarda, conforme a produção do intelectual húngaro Georg Lukács.
