Resistência, Negritude ePerformance de Protesto de Gilberto Gil no Documentário "Os Doces Bárbaros" (1976)
Nome: SUELEM CRISTINA DOS SANTOS
Data de publicação: 19/11/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ADRIANNA MACHADO MENEGUELLI | Examinador Externo |
| MICHELE FREIRE SCHIFFLER | Presidente |
| VITOR CEI SANTOS | Examinador Interno |
Resumo: A presente dissertação visa discutir a performance de resistência de Gilberto Gil, tendo como
um dos pontos de partida o documentário Os Doces Bárbaros. Dirigido por Jon Tob Azulay,
o filme explora o contexto histórico-político por trás da prisão de Gil por porte de maconha
em 1976. A canção “Sandra”, do disco Refavela (1977), produzida pelo compositor um ano
após o episódio, dá continuação à história e explicita a relação entre mídias na obra
gilbertiana, chamando atenção para a importância do arquivo. Todo o repertório musical de
Gil antes, durante e após o documentáro reforça a potência da cultura afro-diaspórica. Além
dos gêneros musical e poético, o artista produziu e produz inúmeros trabalhos audiovisuais,
principalmente em relação a temas como negritude e resistência. Por isso, para além da teoria
da performance, esta pesquisa se concentra nos estudos a respeito de conceitos como
“interartes” e “intermidialidade”, perpassando a compreensão da teoria do riso, necessária
para a análise da cena do julgamento, e das teorias em torno do conceito de negritude. Do
instante 22min/45s ao 43min/25s, o documentário expõe o riso ambivalente de Gil em um
ambiente hostil. Irônico, sarcástico, calmo, firme, revoltado, pensante: cada movimento de
seu corpo é discurso. Diante dos magistrados, da plateia que assistia ao julgamento e também
dos telespectadores, o compositor usa o corpo como tela de sua resistência. Estrelado pelos
baianos Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso, o documentário apresenta um
repertório poético-musical anti-conservadorista, mesmo com o AI-5 em vigência. Destaca-se,
em suas representações artístico-musicais, a influência da África na cultura brasileira,
incorporando as representações do mundo mítico das religiões de matrizes africanas em suas
performances.
